Aqui, ontem

(7Letras, 2025)

Quais são as histórias que morrem com uma pessoa? No romance Aqui, ontem, escrevo sobre a busca por histórias que nunca chegaremos a conhecer, sobre nós mesmas e sobre as pessoas que amamos.

O livro começou a ser escrito antes da morte da minha mãe, antes de eu descobrir que ela estava doente, mas essa experiência mudou radicalmente a escrita. Após a morte dela, refleti muito sobre quantas das minhas próprias histórias desapareceriam com ela, e sobre como certas memórias só poderiam ser contadas por quem já se foi.

No romance, dou vida à protagonista Alice. Em primeira pessoa, acompanhamos o dia a dia dela, logo após a morte da mãe adotiva. Seus escritos fluem entre presente e passado e buscam, a todo o tempo, recuperar a imagem da figura materna. Alice recorre a fotos para lembrar o que a memória em luto insiste em apagar: o rosto da mãe ainda jovem, os momentos vividos com ela, os momentos finais.

Enquanto vive o luto, uma segunda história, narrada em terceira pessoa, se desenha: mais do que a busca pela mãe, o que Alice busca é a possibilidade de ficção, as palavras possíveis para narrar o vazio. Ela se desloca no espaço (o “aqui”) e esconde no movimento um desejo: o de voltar a um tempo anterior ao das perdas (o “ontem”).

leia o texto da orelha, escrito pelo poeta e pesquisador Wilson Alves-Bezerra
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